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Casas Típicas da Costa Nova

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02 Julho 2026

As casas típicas da Costa Nova são hoje um dos maiores símbolos arquitetónicos de Portugal. Reconhecidos pelas suas fachadas às riscas e pela proximidade constante entre a ria e o mar, os palheiros da Costa Nova ultrapassaram há muito o estatuto de simples postal ilustrado. 

 

Antes de inspirarem projetos de design de interiores ou a estética da casa de praia contemporânea, estas construções já revelavam uma linguagem própria, nascida da relação direta com o litoral.

 

Por trás das riscas existe uma história que revela, aos poucos, aquilo que tornou estas casas tão reconhecíveis.

 

 

Antes das Cores: Como Nasceram os Palheiros da Costa Nova?

 

As casas típicas da Costa Nova nem sempre fizeram parte da paisagem que hoje conhecemos. Até ao início do século XIX, a faixa costeira era essencialmente um vasto areal, pontuado apenas pela atividade pescatória. Com a abertura da Barra de Aveiro, em 1808, a pesca ganhou novo impulso, e os pescadores de Ílhavo começaram a instalar estruturas temporárias junto ao mar para guardar redes, embarcações e restantes apetrechos. Os primeiros palheiros da Costa Nova não eram habitações, mas construções simples em madeira, amplas e sem qualquer divisão interior. 

 

À medida que a atividade piscatória se consolidou e as famílias passaram a permanecer mais tempo na região, estes edifícios foram sendo adaptados à habitação. Os interiores começaram a ser compartimentados com tabiques de madeira, muitas vezes ornamentados com conchas de ostra, enquanto a crescente procura da costa como destino balnear levou a burguesia a apropriar-se desta arquitetura vernacular. As proporções estreitas e verticais destas construções também são resultado da própria implantação: lotes reduzidos, casas alinhadas e pouco terreno disponível junto à faixa costeira. A partir dessa adaptação, as casas típicas da Costa Nova deixaram de pertencer apenas à pesca e passaram a afirmar uma ideia de casa de praia que o design de interiores continua a revisitar pela sua relação direta com o lugar.

 

 

A Origem das Riscas e a Paleta de Cores

 

Embora aparentem ser uma escolha meramente estética, o inconfundível padrão às riscas que vemos nas casas típicas da Costa Nova surgiu como resposta a necessidades muito concretas. 

 

Antes da imagem colorida que hoje associamos à região, os primeiros palheiros da Costa Nova apresentavam a madeira no seu estado mais simples, sujeita à humidade, à maresia e ao desgaste do uso diário. A pintura surgiu sobretudo como forma de proteção, recorrendo a óleo de peixe e pigmentos naturais que, numa fase inicial, deram origem a tons mais escuros, como o preto e o vermelho ocre. Com o tempo, instalou-se o hábito de pintar tábuas alternadas, criando o padrão linear que viria a tornar-se inseparável da identidade local.

 

Só mais tarde, com a afirmação da Costa Nova como destino balnear, surgiram cores como o azul, o verde e o amarelo, aproximando estas construções de uma expressão mais alegre e luminosa. O branco manteve-se como elemento essencial, criando contraste e ampliando a leitura das fachadas. É precisamente esta combinação entre necessidade, tradição e imagem que continua a interessar o design de interiores, sobretudo quando se pensa numa casa de praia com identidade própria, sem depender de fórmulas demasiado literais.

 

 

Os Materiais que Definem as Casas Típicas da Costa Nova

 

A identidade das casas típicas da Costa Nova nasceu de materiais escolhidos pela sua resposta ao litoral. A madeira dominava pela facilidade de transporte e montagem, enquanto o adobe surgiu mais tarde, associado a construções mais permanentes. Também as coberturas foram evoluindo, com a telha a substituir gradualmente soluções mais leves, à medida que os palheiros da Costa Nova se transformavam em habitações sazonais.

 

Nos interiores, as conchas de ostra surgiam nos tabiques como detalhe ligado ao contexto marítimo, enquanto os pigmentos naturais davam origem às primeiras cores das fachadas. Esta relação direta entre matéria, uso e lugar continua a interessar o design de interiores, sobretudo quando se pensa numa casa de praia com identidade própria.

 

 

 

O Interior dos Palheiros: Decoração e Mobiliário

 

A decoração dos palheiros da Costa Nova nascia mais do uso do que da intenção estética. No interior, predominava mobiliário essencial, quase sempre em madeira, com mesas simples, bancos, cadeiras e arcas pensadas para responder ao quotidiano. As peças artesanais conviviam com objetos ligados à pesca como parte natural da vida dentro destas casas.

 

Nas casas típicas da Costa Nova, a luz tinha também um papel importante. As aberturas procuravam trazer claridade para interiores originalmente contidos, enquanto tecidos como o linho e o algodão surgiam em peças utilitárias, leves e fáceis de manter. Cordas, redes, conchas e madeiras gastas pelo uso completavam esta linguagem de forma discreta, aproximando a casa de praia de uma ideia de simplicidade vivida que o design de interiores continua hoje a reinterpretar.

 

Essa leitura mantém-se particularmente atual em peças que valorizam a matéria e o saber-fazer artesanal. A coleção Natur, por exemplo, recupera a expressividade da madeira e da palhinha através de uma linguagem contemporânea, enquanto a coleção Toro traduz a mesma contenção formal em mesas e cadeiras de desenho intemporal. Em ambos os casos, a inspiração não reside na reprodução dos palheiros, mas na valorização dos princípios que lhes deram identidade: materiais honestos, formas depuradas e uma relação equilibrada entre função e estética.

 

Há peças que transportam essa essência para uma interpretação contemporânea da casa de verão, como acontece na coleção Natur, onde o cadeirão e as mesas de cabeceira valorizam a madeira e a palhinha enquanto parte do seu carácter artesanal. A coleção Toro prolonga essa mesma leitura através da mesa de jantar e das cadeiras, combinando madeira e tecido numa composição leve e naturalmente ligada à vivência destes espaços. 

 

 

As casas típicas da Costa Nova mostram que a identidade também se constrói pela repetição. A sua força não está apenas em cada construção, mas na continuidade visual que se cria entre todas. 

 

No design de interiores, essa mesma ideia continua atual: os espaços mais marcantes são frequentemente aqueles que mantêm uma linguagem coerente do princípio ao fim. E, se procura outras referências para pensar a sua casa de verão, o nosso artigo sobre decoração de casas alentejanas revela outra forma de transformar tradição em inspiração contemporânea.